Já aprendeu algo somente vendo? Ou já fez ou deixou de fazê-lo só por um olhar que recebeu?
Acredito que a maioria de nós sim. O olhar é uma das ferramentas mais precisas e preciosas que temos por identificar, medir e, na hora certa, até dizer o que quer. Ainda tenho comigo uma particular divisão entre olhar e ver e não me sinto equivocado nisto. Olhar me remete à parte física, concreta, movimentada ou não, e ver já me traz a ideia de ir além do material, de enxergar o que se quis dizer, mas eventualmente não foi dito. É a tal da subjetividade, seja lá o que for isso.
Alguns aprendizados não pedem explicação e não se fazem eficazes ditos ou palestrados com eloquência. Eu até poderia dar alguns exemplos, mas vou deixá-los com as lembranças de suas próprias experiências que certamente são bem mais ilustrativas. Quase sempre me flagro olhando, ou vendo, certas situações que julgo, no mínimo, subliminares, dessas que dizem tudo sem quase serem percebidas, porém bem virtuosas e isso me causa uma inquietação quase poética: seriam essas tais situações assim tão carregadas de dizeres se o olhar, meu ou seu, não as fitasse? Isso dialoga com aquele pensamento de que a beleza está no olho de quem vê. Meu objetivo principal é chegar próximo do entendimento que os olhos proporcionam tanto para quem olha/vê quanto para quem é olhado/visto.
Olhar para nós mesmos e nos ver. Isso também prendeu minha atenção no que diz respeito a aprendizado e até sabedoria. Quando nos olhamos, nós nos colocamos de frente com a verdade que só nós mesmos sabemos, e neste momento é que temos a oportunidade de crescer. Enfim, divido hoje essa nova interpretação: muito se aprende olhando, muito se vê no que não é dito. Viu?
arte de Igor Souza/SSA
